O que se carrega em silêncio

Há pessoas que chegam ao trabalho todos os dias com um esforço que não aparece em lado nenhum.

Por fora, tudo cumpre o cenário da normalidade.

Por dentro, o dia pode ser feito de pequenas negociações silenciosas: ansiedade, fadiga, sobrecarga sensorial, dor ou uma mente que não acompanha o ritmo esperado.

São pessoas com deficiências invisíveis. Não porque não existam, mas porque o que vivem internamente não está à mostra. Às vezes até escapa, mas o esforço é para guardar.

Durante muito tempo, o trabalho foi desenhado para um corpo e uma mente ideais: constantes, lineares e sempre disponíveis.

E assim criámos ambientes onde muitos conseguem funcionar — muitas vezes à custa de si próprios.

Há quem participe em todas as reuniões e precise de dias para recuperar. Porque não é simples estar com todos ao mesmo tempo.

Há quem pareça distraído, mas esteja apenas a tentar lidar com o excesso de estímulos.

Há quem entregue tudo o que é pedido sem nunca nomear o esforço que isso exige.

Porque, muitas vezes, o mais difícil não é o trabalho. É fazer parecer que não existe dificuldade nenhuma.

E se observássemos mais quem está ao nosso lado? Não  tratar todos da mesma forma. Perguntar o que cada pessoa precisa para conseguir estar bem no seu local de trabalho…

E talvez  isso faça sentido para quem compartilha o espaço  e dê uma nova perspectiva para pensar o trabalho — estruturas mais flexíveis, mais humanas e mais atentas ao invisível.

É neste território que o JustWork procura existir: não como um modelo fechado, mas como uma tentativa de repensar o trabalho a partir de pessoas reais, com ritmos diferentes, necessidades diferentes e formas diferentes de estar no mundo e compartilhar.

Katia Bonfanti, psicóloga — Equipa de Gestão JustWork